quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

debaixo de toda armadura há
a fragilidade
debaixo de pontes de concreto
e zumbido de carros
há um lago tranquilo que
corre sem pressa
por dentro de todo peito
há um latente coração
pulsando
pulsando
pedindo
pedindo
ronronando
ronronando
por dentro de todo olhar duro
há a menina
que inda não menstrua
e brinca de pular corda
às cinco e meia da tarde
depois do chá
com suas amigas.

sábado, 21 de novembro de 2009

terça-feira, 6 de outubro de 2009

o tempo é como uma bola
por mais que insistam em dizer
que corre
digo que roda roda roda
e para no mesmo pé
do lance inicial

alcântara .



o aquário (ou menino azul e de mãos molhadas)

… Nada de ir tateando os

muros como um cego.

mario quintana



o menininho tinha olhar triste. vigiava o lá fora e passeava as mãos molhadas pela sua vidraça.

lá fora caíra uma chuva torrencial, e o pobre menininho de olhos tristes bateu as barbatanas e foi brincar de pique no pátio da escola.

Mas a chuva afogou o povo.



alcântara .

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

[ Revisit# ]

Alcântara .

Preciso [re]experimentar falar algo novo. Como que um grito agudo recuado. Ver-me novamente dans la glace.

Levar de encontro ao dia

- ao dia –

homens corajosos em confiar em mim,

que pensar é o melhor fardo. pois o feito,

ainda é o bônus, e só virão os homens corajosos quando de encontro ao feito.

“Mas o fim é mais

um [re]começo”

Glauber® [risos], proteção nessa hora,

que Jean® me dará as mãos que beijam bocas,

avermelhadas num sorriso.

Pois seu surreal hoje Tão real que apelo ao

ridículo. várias vezes.

-

sexta-feira, 7 de novembro de 2008






esperar, mesmo, pelo, não.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

é a pressa que nos conduz

somos conduzidos

músculos instantâneos

cabelos que mudam, por cores

cortes

recortes

penteados

e nem tempo pra nos pentear temos

de repente: o medo

que um raio caia sobre nossas cabeças

pobres anônimos conduzidos

sorrisos programados

como flashes digitais

como letras que surgem com os polegares vazios

cabeças vazias

corpos vazios

e anabolizados

que nos custa esperar?

quanto custa sentar?

quanto vale sorrir, se tudo que queremos

é ser máquina?

e ser gente ficou obsoleto