
Meia-noite. Galos cantando, à meia-noite.
À meia-noite todos os galos são pardos.
Galos, gatos são pardos. À meia-noite,
olhos de gelo
e relógios a alarmar, galos a cantar,
cantos a ladrar, à meia-noite.
Galos e gatos são pardos
à meia-noite.
Toda noite, quando partes
meus calos me doem em um ritmo
intenso.
Como se meu coração saltasse
e os olhos reclamassem a falta
do gato pardo da matriz.
Meia-vida e meia-boca.
Meia-luz e meia-voz.
À meia-noite partes
na calçada. Cães e ladridos perseguem-te.
E nesse processo, me imerso
e retrocedo sem sossego
e me perco mui cedo.
E a insônia me corrói o juízo,
juízo e sombra me assomam e
jogam no ralo.
Um calo, um gato e um galo.
À meia-noite,
um riso e uma flor.
Se vão, em vão, no vão.
Meu chão se abre e
Parte-me. À meia-noite.
Galos e gatos são pardos.